Perspectivas

(See it in English)

Na verdade, o nome correto deveria ser perspectivas sobre o Inferno de Dante. A questão é que, como vimos na discussão inicial sobre Galileu, a obra de Dante acabou sendo um catalisador para varias mudanças na mente humana em como apropriar a realidade. As perspectivas que pretendo discutir serão quais foram estas novas formas de pensar que Dante trouxe ou provocou. Uma discussão disto “per se”, é, a meu ver, intragavel. Prefiro faze-lo a partir da implicação prática de uma destas mudanças, que é a debutação da ciência, ou como ela é na sua forma matemática, para uma interpretação da realidade.

Observo ao meu redor, que a menção de Galileo como tendo calculado o tamanho do inferno baseado em Dante, soa como uma curiosidade na melhor hipotese, porem, na verdade, ele estava anunciando o gênio que ele foi, pois fez isto aos 24 anos e estava tambem anunciando como a fisica moderna iria proceder. Suas premissas lançaram a base das conjeturas cientificas que caracterizam o pensamento sobre o assunto, como ao fim da apresentação do Youtube acima menciona, e que  Mark Peterson, professor de Fisica em Mount Holyoke College usou para redigir seu (s) livro (s) e transcrevo aqui sua observação que sumariza o que esta em jogo:

Parece-me uma fina ironia que que a primeira história de sucesso da física matemática de Galileu, que está próxima de ser o primeiro sucesso de toda a física matemática, foi uma resposta a um problema que não era físico, mas sim o colapso de uma estrutura imaginária em um trabalho da literatura “.

Ele e Jean-Marc acompanham Einstein, que ja havia em 1954 no seu livro Ideias e Opiniões pag 251 observado:

Propositions arrived at by purely logical means are completely empty as regards reality. Because Galileo realised this, and particularly because he drummed it into the scientific world, he is the father of modern physics—indeed, of modern science altogether.”

“Propostas feitas por meios puramente lógicos são completamente vazias quanto à realidade. Porque Galileu percebeu isso, e particularmente porque ele introduziu isto no mundo científico, ele é o pai da física moderna – de fato, da ciência moderna conjuntamente”.

Jean-Marc Lévy-Leblond percebeu isto claramente, e dai seu artigo, e a maior ironia, que não me fica claro se os dois (ele e Mark Peterson) perceberam é que ao tempo de Galileu, a matematica era desprezada e não pertencia ás discussões “serias” da elite da época. Para entender isto, transcrevo de “A Historia da Matematica a posição da matematica e dos matematicos neste tempo:

Durante os séculos em que os matemáticos chineses, indianos e islâmicos estiveram no auge, a Europa caiu na Idade das Trevas, na qual a ciência, a matemática e quase todos os esforços intelectuais estagnaram. Os estudiosos escolásticos apenas valorizavam estudos nas humanidades, como a filosofia e a literatura, e gastavam grande parte de suas energias brigando sobre assuntos sutis na metafísica e teologia, como “Quantos anjos podem permanecer na ponta de uma agulha.

Nós voltamos à estaca zero e agora a elite, em sua maior parte, despreza humanidades e privilegia física e matemática, ou a ciência, como tal… e é a maior ironia a que me refiro…

Eu, Roque, tenho a comentar sobre a observação acima transcrita da Historia da Matematica o seguinte: “Mas eles fizeram Catedrais Góticas“, nas quais foram usadas conceitos num nivel o melhor e mais sofisticado que uma cabeça humana pode conceber,  que nos joga diretamente ao fato de que possivemente hoje, os cientistas, ou quem privilegia ciencias exatas, tem o mesmo preconceito que ocorria vice versa na Idade Media e, por isto, lhes equivalem…

Considero, incluindo as chamadas pelos pointers, suficiente para fazer o ponto e fecho com o que talvez tenha sido a maior contribuição de Galileu para o pensamento humano, e sua mais famosa citação (e que começou pela medição do Inferno):

“O Grande Livro da Natureza é escrito em linguagem matemática”  in Il Saggiatore, 1623 ; en français : L’Essayeur, traduction de Christiane Chauviré, Les Belles Lettres, 1979, p. 141. Em Italiano Também Em Inglês

Lista das perspectivas no Indice

Próxima Perspectiva 

 

 

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