Existência de Deus

(See it in English)

REC

Este assunto é infernal!

A Wikipedia cobre razoavelmente, recomendo que seja lido antes, porem leia também a versão em Inglês. Você vai ver que em Português existe uma polarização e a neutralidade foi questionada e isto é típico deste assunto.

Também deve ser enquadrado sob apologética, e no nosso caso apologética cristã, não existe em Português, apenas Apologética Católica.  Aqui também ocorre polarização (ou ignorância) e tem que ver em Inglês apologetics, em geral e no nosso caso Christian apologetics.

Se você é cético ou não tem paciência, veja este  veja este video, organizado por um eminente Psicólogo de Harvard, Dr.Armand Nicholi Jr.

Se você é um ateu impenitente ou agnóstico, mas gosta de estar familiarizado com o que as pessoas educadas discutem sobre o assunto, tente ver a-ultima-sessão-de-Freud 

Se você é um crente, seja bem definido ou um “católico não praticante”, e quer saber como a Igreja Católica lida com o assunto, veja a entrevista que o Cardeal Ratzinger deu a Vittorio Messori e foi publicado sob o nome  “Perché la fede é in crisi” na Revista “JESUS”, ano VI, n9 11, Novembro 1984, pp. 67-81.

Como eu já disse, as definições discursivas, descritivas e redigidas são sempre extremamente longas e não vão ao ponto e, com todas as vantagens trazidas para a humanidade, o que é escrito deixa muito a desejar. Talvez a Poesia minimize isto e a Divina Comédia de Dante é um fantástico exemplo, inclusive por que ele estava praticamente inventando  uma das línguas modernas mais sofisticadas, o Italiano.

Outro problema em lidar com um assunto como este é que estamos presos a nossa mente que, para todos efeitos práticos, privilegia a racionalidade e, embora existam relatos de encontros com deus em estados de espírito alterados através de algum tipo de droga ou algum tipo de hipnose, não vou trazer isto à discussão e escrevi Deus com letra minúscula, porque para mim é um encontro pessoal consigo mesmo e não com Deus como tal, existente ou não. Esta última frase é paradoxal, porque você não poderia ter um encontro com algo que não existe. É intencional para fazer meu ponto de vista porque a realidade está cheia de paradoxos, que reconhecemos e não compreendemos e o problema da existência de Deus é um deles

Mas isso pode ser minimizado. Para fazer isso, trarei um dos melhores autores da Apologética  Cristã, que teve muitos problemas para deixar o ateísmo e se tornar um crente, C.S. Lewis Clive Staple Lewis. Ele tem uma alegoria interessante sobre a existência de Deus. Essa alegoria é o resultado de um Programa de Radio,  quando os alemães bombardearam Londres, e a existência de Deus em tais circunstâncias era “a” questão. Ele publicou suas discussões sobre esse período sob o nome de “Deus no Banco dos Réus”, que contém quarenta e oito ensaios e doze cartas escritas por ele entre 1940 e 1963. Variando dos artigos de jornal populares até defesa culta da fé, esses artigos abordam tópicos como a lógica do teísmo, o bem e o mal, os milagres, o papel das mulheres na igreja, a ética e a política. Muitos representam os primeiros empreendimentos de Lewis em temas que ele mais tarde trataria em livros completos.

C. S. Lewis (1898-1963) ensinou literatura inglesa nas universidades de Oxford e Cambridge e escreveu mais de trinta livros acadêmicos e populares muito influentes. Entre seus muitos trabalhos famosos estão Cristianismo Puro e Simples, Cartas a Um demonio Aprendiz,  As Cronicas de Narnia,  Milagres e Surpreendido pela Alegria.

(nota REC)  CS Lewis é um dos dez autores mais lidos na língua inglesa. Seus livros foram editados no Brasil por editoras protestantes, até 1990, em edições simples, de bolso. Sumiram e voltaram, tem que procurar, recomendo ir aos sebos, procurar na Internet. Disponibilizei alguns e  o problema do sofrimento  tem uma introdução com resenha do que há em Português

Deus no banco dos réus (God in the Dock) 1948  C.S.Lewis  do qual eu extraio o seguinte trecho_

Resenhas sobre este livro:

– New York Times
“Aqui, o leitor descobre que o polêmico de espírito duro está saboreando o debate; aqui também o professor amável que explica uma abstração complexa por meio de clarificação das analogias; aqui, o orador público aborda sua audiência variada com toda a humildade e graça de um homem que sabe o quanto mais ainda deve ser conhecido “.

– Christianity Today
“Para aqueles que sabem pouco sobre C. S. Lewis ou suas idéias, este livro é uma boa introdução. . . . Deus no Banco dos Réus contém algumas das apologéticas espirituais de Lewis. E para aqueles que há muito conhecem e amaram os escritos de Lewis, esse volume é uma adição bem-vinda “.

– Commonwealth
“Nos leva a uma viagem que é completamente fascinante. . . . Um modelo de senso sólido e imaginação, de equilíbrio e engenhosidade, de arte e coerência. “O trecho

— The New York Times

Trecho do Livro

Tem sido solicitado a mim para que escrevesse sobre as dificuldades que uma pessoa encontra ao tentar apresentar a Fé Cristã para descrentes modernos. Este assunto é muito amplo para minha capacidade ou mesmo para a abrangencia deste artigo. As dificuldades variam conforme as audiências variam. A audiência pode ser desta ou daquela nação, pode ser de crianças ou adultos, pessoas ignorantes ou cultas. Minha própria experiência é baseada em audiências de Ingleses somente e quase que exclusivamente de adultos. Na verdade tem sido na maioria homens (e mulheres) servindo na R.A.F. Isto tem significado que enquanto poucos deles tivessem aprendido no sentido acadêmico do sentido desta palavra, um grande número teve uma noção de ciência prática elementar, tenha sido ela mecânica, elétrica ou de operação de telegrafo sem fio; pois que as fileiras da R.A.F. pertencem ao que pode ser quase chamado “a Elite do Proletariado”. Eu também tenho conversado com estudantes nas Universidades. Estas limitações estritas em minha experiência devem ser mantidas na mente dos meus leitores. O quanto grosseiro seria generalizar de tal experiência eu mesmo descobri em uma única ocasião quando falei para soldados. Tornou-se claro imediatamente para mim que o nível de compreensão em nosso exército é muito mais baixo do que o da R.A.F. e uma maneira de tratar as coisas bem diferente era requerida.
A primeira coisa que eu aprendi ao dirigir-me para as pessoas da R.A.F. era que eu estivera pensando erroneamente que o materialismo era nosso único adversário considerável. Dentre a Elite Inglesa do Proletariado, materialismo é somente uma das crenças não Cristãs – Teosofia, Espiritismo, Israelitismo Inglês, etc. – são outras.
A Inglaterra, é claro, tem sido sempre o lar dos excêntricos, e eu não vejo sinais que isto esteja diminuindo. Marxismo consistente raramente encontrei. Seja isto porque é muito raro ou porque as pessoas falando na presença dos seus superiores hierárquicos esconda isto ou porque os marxistas não frequentavam as reuniões em que eu falava, eu não terei meios de saber. Mesmo onde o cristianismo era professado, era frequentemente bastante tingido com elementos panteisticos. Declarações cristãs estritas e bem fundamentadas, quando de todo ocorriam, normalmente vinham de Católicos Romanos ou membros de seitas Protestantes extremistas (como os Batistas, por ex.). Minhas audiências de estudantes compartilhavam, em um grau menor, a indefinição teológica vaga que eu encontrei na R.A.F., mas dentre eles declarações estritas e bem informadas vinham de Católicos Anglicanos e Romanos e, raramente, de inconformados. As várias religiões não cristãs mencionadas quase não apareciam.
A próxima questão que eu aprendi da R.A.F. era que o Proletariado Inglês é cético com relação à história numa proporção que pessoas educadas academicamente sequer sonham em imaginar. Isto, verdadeiramente, parece para mim ser o maior fator de compartimentação entre os ignorantes e os cultos. A pessoa culta, habitualmente, quase sem o perceber, vê o presente como algo que provém de uma longa perspectiva de séculos. Na mente dos ouvintes da R.A.F., esta perspectiva simplesmente não existia.
Pareceu para mim que eles na verdade não acreditavam que nós tenhamos nenhum conhecimento confiável do homem histórico. Mas isto era frequente e curiosamente combinado com uma convicção que nós sabíamos bastante sobre o homem pré histórico: Sem dúvida porque o homem pré histórico é rotulado como “Ciência” (que é confiável) enquanto que Napoleão e Júlio César são rotulados como “História”(que não é confiável).
Desta forma, um quadro pseudo-científico do “homem das cavernas” e um quadro do “Presente” preenchia quase que o todo do seu imaginário, sem que entre estes, permeia somente uma região sem importância e sombria na qual formas fantasmagóricas de soldados romanos, diligências, piratas, cavaleiros andantes, ladrões de trens, etc. se movem no meio de uma neblina. Eu havia suposto que se meus ouvintes desacreditassem nas Escrituras, eles o faziam por que elas registraram milagres. Mas minha impressão posterior é que eles desacreditavam delas simplesmente porque lidavam com eventos que ocorreram há muito tempo: eles eram tão descrentes das batalhas entre os gregos e romanos como eram da Ressurreição – e pela mesma razão.
Algumas vezes este ceticismo era defendido pelo argumento que todos os livros antes da invenção da imprensa foram copiados e recopiados de tal forma que o texto foi modificado além da possibilidade de reconhecimento. E aí vinha uma outra surpresa. Quando seu ceticismo histórico tomava a forma racional, era as vezes facilmente aliviado pela simples afirmação que existiu uma “ciência chamada crítica textual” que nos dava uma garantia razoável que alguns textos antigos tinham acuidade.
Esta aceitação da autoridade de especialistas é significativa, não somente pela sua engenhosidade, mas também porque sublinha o fato do qual minhas experiências tiveram no todo para convencer-me, isto é, eles tinha muito pouca oposição nascida da malícia ou suspeita. Suas dúvidas são baseadas em dúvidas genuínas e frequentemente em dúvidas que são razoáveis no estado do conhecimento da pessoa que duvida.
Minha terceira descoberta é uma dificuldade que eu suspeito que seja mais aguda na Inglaterra que em outros países. Eu quero me referir a dificuldade ocasionada pela língua. Em todas as sociedades, sem dúvida, a maneira de falar do vulgar difere da do culto. A língua inglesa com seu vocabulário duplo (de origem latina e de origem nativa), maneirismos ingleses (com sua infinita indulgencia com a gíria, mesmo nos círculos mais educados) e a cultura inglesa, que não permite nada similar à Academia Francesa, faz com que a distância entre o vulgo e o culto seja anormalmente ampla.
Existem quase que duas línguas neste pais. O homem que quer se dirigir aos não educados em Inglês precisa aprender sua linguagem. Não é suficiente que ele se abstenha de usar o que seja considerado “palavras pesadas”. Ele precisa descobrir empiricamente, isto é, por tentativa e erro, que palavras que existem no linguajar de sua audiência e o que elas significam nesta linguagem, por ex.: que potencial não significa possível, mas poder , que criatura significa não criatura, mas “animal” que primitivo significa “rude” ou “desajeitado “, que rude significa (frequentemente) “escabroso” “obsceno” , que Imaculada Conceição (exceto na boca dos Católicos Romanos) significa “Nascido da Virgem” . Um ser significa um “ser pessoal” . Um homem me disse: “Eu acredito no Espírito Santo, mas não acho que ele é um ser.”, significando isto que: Eu acredito que haja tal ser, mas não é personificado.  Por outro lado, pessoal algumas vezes significa “corpóreo”. Quando um inglês iletrado diz que ele “acredita em Deus, mas não em um Deus pessoal”, ele pode estar querendo dizer simplesmente e tão só que ele não é antropomorfista no sentido estrito e original desta palavra.
Abstrato parece ter dois significados: (a) “imaterial”, (b) “vago” , obscuro e impraticável . Desta forma, a aritmética não é, na linguagem deles, uma ciência “abstrata”. Prático significa frequentemente “econômico” ou “utilitário”.
Moralidade quase sempre significa ”castidade”: daí, na linguagem deles, a sentença “Eu não digo que esta mulher é imoral, mas eu digo que ela é uma ladra”, não seria contraditória, mas significaria: “Ela é casta porém desonesta”.
Cristão carrega uma carga de elogio ao invés de um sentido descritivo: por exemplo, “Padrões cristãos” significa simplesmente “altos padrões morais”. A frase “fulano não é cristão” significaria somente uma critica do seu comportamento e não uma afirmação sobre suas crenças. É também importante perceber que o que pareceria ao educado a palavra mais difícil entre duas quaisquer, para o iletrado pode ser na verdade o mais fácil. Com isto em mente, recentemente foi proposta uma emenda em uma oração usada na Igreja da Inglaterra que os magistrados “podem verdadeira e indiferentemente administrar justiça” para “podem verdadeira e imparcialmente administrar justiça”. Um padre de uma cidadezinha do interior disse-me que seu sacristão entendeu e podia explicar com acuidade o significado de “indiferentemente”, mas não tinha idéia do que “imparcialmente” significava.
A linguagem inglesa popular, então, simplesmente tem que ser aprendida por aquele que quer pregar aos ingleses: somente um missionário aprende Banto antes de pregar aos Bantos. Isto ainda é mais necessário porque uma vez que a aula ou discussão tenha começado, digressões quanto o significado de palavras tendem a enfastiar e provocar perda da atenção de uma platéia iletrada e mesmo a levantar suspeita. Não existe um assunto em que eles não estejam menos interessados do que Filologia . Nosso problema é frequentemente de tradução. Todas as provas para formar um candidato à ordenação deveria incluir alguma passagem de algum texto padrão de trabalho teológico para tradução para o vernáculo. O trabalho é extenuante mas é imediatamente premiado. Ao tentar traduzir a doutrina no linguajar vulgar nos descobrimos o quanto a entendemos nós mesmos. Nossa falha em traduzir pode ser algumas vezes devido à nossa ignorância do vernáculo além do fato que em muitas das vezes fica exposto o fato do que nós exatamente não sabemos o significado.
Fora da dificuldade lingüistica, a maior barreira que eu encontrei é a quase que total falta do sentido de pecado nas mentes de minha audiência. Isto tem me atingido mais quando eu falo ao pessoal da aeronáutica do que quando falo a estudantes, porquanto eu creio que o proletariado é mais correto no agir (no sentido de seguir os preceitos da lei de Deus e dos homens) do que as outras classes, ou então as pessoas educadas são mais espertas em esconder seu orgulho, o que cria para nós uma nova situação. Os antigos e primeiros pregadores cristãos podiam assumir na sua audiência um sentido de culpa, fossem eles judeus, metuentes ou pagãos (Que isto era comum entre os pagãos é demonstrado pelo fato que tanto o epicurianismo como as religiões misteriosas proclamam, embora de formas diferentes, para aliviar este sentimento). Desta forma a mensagem cristã era nesta época sem medo de errar O Evangelho , a Boa Nova .
Prometia cura para aqueles que sabiam que estavam doentes . Nós temos que convencer nossos ouvintes do diagnóstico indesejável e não bem vindo antes de esperar que eles queiram as novas do remédio.
O homem antigo se aproximava de Deus (ou mesmo dos deuses) da mesma forma que uma pessoa acusada se aproxima do seu juiz. Para o homem moderno é o contrário. Ele é o juiz, Deus é o réu. Ele é até que um juiz bonzinho: se Deus tiver uma defesa razoável por ser um deus que permita guerra, pobreza e doença, ele está pronto a ouvi-lo. O julgamento pode ser até com a absolvição de Deus. Mas o fato importante é que o homem está como Juiz e Deus como Réu.
Normalmente é inútil tentar combater esta atitude, como os velhos pregadores o faziam, pela insistência na discussão de pecados como abuso de bebida e falta de castidade. O proletariado moderno não bebe.
Quanto à fornicação, os contraceptivos fizeram uma diferença profunda. Enquanto que este pecado pudesse socialmente arruinar uma moça fazendo-a mãe de um bastardo, a maioria dos homens reconhecia o pecado contra a caridade envolvido e suas consciências o incomodavam. Agora que não existem tais conseqüências, não é, penso eu, geralmente sentido como pecado de todo. Minha própria experiência sugere que se pudermos despertar a consciência de nossos ouvintes de todo, nós precisamos o fazê-lo em direções bastante diferentes. Nós precisamos falar de conceito, malícia , inveja, covardia, mesquinhez, etc. Mas eu estou muito longe de acreditar que eu encontrei a solução para este problema.
Finalmente, eu tenho que acrescentar que meu trabalho sofreu muito do meu incurável intelectualismo da minha forma de pensar. O simples apelo emocional (“Venha para Jesus”) ainda muito é bem sucedido. Mas aqueles que, como eu, não tem o dom de o fazê-lo, não devem tentá-lo.

Outras incursões de CS Lewis:

Cristianismo Puro e Simples

Editado em Português, com PDF disponivel clicando acima, contem também o mesmo material de Deus no Banco dos Réus. Referido no Programa de Radio, mencionado acima

Sobre alegorias. e não pode deixar de ser lido  Alegoria do amor. Neste livro, em que ele trata de textos medievais, onde a alegoria reinava soberana, Lewis descreve como o amor era visto na Idade Média e o significado de alegoria e como se compara ou se completa com simbolo.

Screwtape Letters

CS Lewis misquoted by D J Boorstin

Próxima Perspectiva

 

 

 

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out /  Change )

Google photo

You are commenting using your Google account. Log Out /  Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out /  Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out /  Change )

Connecting to %s