Significado do Simbolismo e das Alegorias no Inferno da Divina Comedia

(See it in English)

Estou usando intensivamente sites italianos de ajuda a alunos interessados no assunto.

ou La Divina Commedia

Para entender a movimentação e o que ocorre, temos que definir alguns parâmetros simbólicos, que são próprios do estilo usado por Dante.

Veja antes a Geografia de Dante

e a estrutura

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1o. parâmetro simbólico: Configuração da linguagem retorica, da narrativa e estilo

O estilo é o que os italianos chamam de cômico, pelo uso de linguajar vulgar. O que esta escrito em Latim é para indicar relevância ou importância da passagem na narrativa. Virgílio é chamado de Doutor porque conhece a informações e de Mestre porque é superior a Dante, que é Agens, protagonista

2o.Parâmetro simbólico Localização e formato físico

Estrutura da Vida após a morte na visão de Dane Alighieri
Oltretomba” em Italiano significa o mundo dos mortos de acordo com várias concepções mitológicas ou religiosas. Não ha tradução correta para nossa língua.

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Aumente a figura até dar para ler e veja que as três primeiras coisas que Boticelli colocou foram: Acheron, Floresta Escura e as Portas do Inferno.

Veja o trabalho sobre a ideia de Boticelli, que faz ligações ao pressionar o mouse sobre

O inferno é um Abismo cônico invertido aberto sob Jerusalém, provocado pela queda dos anjos rebeldes do céu (Lúcifer). Lúcifer era o anjo do céu mais brilhante, mas não queria submeter-se a Deus, mais resplandecente que ele, caiu do céu e tornou-se um demônio. (Orgulho); Jerusalém abriu-se em duas e depois fechou-se novamente para não ser contaminada pelos anjos rebeldes. As colunas de Hércules marcam a fronteira a oeste, e o Rio Ganges a leste. No lado oposto do inferno, a montanha do purgatório foi formada onde o Jardim do Éden está localizado no último “piso”.

Olhe os três mapas acima e insisira um no outro e vai ver o caminho que Dante percorre ao longo do poema, observando ele “desce” quando entra no inferno e “sobe” o Monte do Purgatorio que está sobe o ceu esta do lado oposto, depois de cruzar o Rio Styx no Hemisferio de água, lembre-se que a Terra é redonda.

3o.Parâmetro simbólico

Localização, figuras alegóricas, símbolos e significado, para cada Canto

Entrada

Canto 1 (Veja a animação no Youtube)

Local: Floresta escura
Figuras alegóricas, símbolos e significado:

  • Floresta escura = Pecado
  • Dante = “Agens” Personagem e “Auctor” Autor
  • Virgilio = Guia, Mestre e Autor
  • Pantera   = Luxuria
  • Leão  = Soberfa
  • Loba = Cupidez, cobiça, ganância

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Dante acorda em uma floresta, simbolizando que ele perdeu a cabeça. As florestas eram o símbolo de risco, porque os bandidos e os ladrões se escondiam ali. “No meio da jornada da nossa vida” – indica o período de cerca de 35 anos, no meio da vida. Dante começa a fazer um inventário do que havia feito. Dante deve, portanto, passar por todos os males do mundo para encontrar a sua salvação: este é o significado de sua jornada. O poeta não sabe como ele entrou naquela floresta e se vê sonolento, sendo o momento noturno, isto é no meio da noite, que também significa estar sem saber para onde ir.

Dante é Agens (ele é o protagonista), e Auctor ou aquele que conta e demonstra o aumento da consciência do homem. Quando Dante vê a colina iluminada pelo sol, ele vê como um brilho de salvação para sair de sua vida pecaminosa.
Virgilio, seu ídolo literário. aparece para salvar Dante das bestas. Os três animais são a representação dos Vícios (Luxuria, Soberba e Cupidez). Virgilio leva Dante sob sua proteção e o acompanhará até o Monte do Purgatório. Sua alma está perdida no pecado e ele quer voltar à luz (Sair da Floresta). Virgilio representa a razão humana; irá acompanhá-lo para o céu, mas não mais porque ao chegar será acompanhado por Beatriz. Virigilio era considerado na Idade Média como o maior poeta, pagão, mas  cristianizado. A Idade Média interpreta Virgílio como uma figura de mensagem divina Ele nunca falou dos “falsos e mentirosos” e é um símbolo da perfeição humana.
Dante espera que ele agora possa encontrar o apoio para sair desta condição.
Ele é Auctor e Agens e, portanto, ele é o mestre, como o maior poeta, que elaborou as qualidades da alma humana (ele expressa as potencialidades da razão humana). Ele é um guia moral e Auctor (guia comportamental de como ele age), mas ele não poderá ajudá-lo no céu, pois é um pagão não batizado não pode entrar lá. Beatriz irá acompanhá-lo, plena de caridade, fé e esperança.

A luz da manhã é o princípio da esperança e as estrelas que surgem (as concomitâncias astronômicas) foram as mesmas situações visíveis quando Deus começou a criar o mundo e foi favorável à vida. Assim, Dante se recompôs erguendo a cabeça, quando o Leão (Soberba) apareceu. O mais perigoso é a loba, representada magra e reduzida à pele e aos ossos (Cupidez, ou avidez imensa que não está satisfeita), mas Virgilio anuncia derrota dela por um véu cheio de virtudes, provindo do Feltro, que pode ser entendido como nascido entre panos humildes, ou um homem pobre ou um homem que professa por alguma ordem monástica na pobreza (ordem franciscana) ou nascido em Feltro, no Veneto.
Dante tem que sair de outra lugar, porque a loba não deixa ninguém passar, e ele a  mata. (deve mudar de curso) porque sua natureza é insaciável e má e está cada vez mais com fome (alegoria de ganância, posse).

Os eventos são todos episódios pagãos e lendários, de modo que existe uma continuidade entre a história pagã e cristã.

Segundo Canto (Veja a animação no Youtube)

Local: Declive da colina
Figuras alegóricas, símbolos e significado:

  • Virgílio = Razão
  • Beatriz = Graça operante ou santifiante
  • Virgem Maria   = Caridade
  • Santa Lúcia =  Graça iluminadora
  • Raquel = Vida contemplativa
  • Selva    =  Escuridão, desconhecido, mistério, medo, formação do Homem
  • Colina = Caminho para Deus, esperança, medo

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“Eu não sou como Eneas vitorioso ou como São Paulo” (a humildade de Dante) diz Dante. Paulo falou de um êxtase místico que o levou a Deus (Excessus Mentis), enquanto Eneas é o homem Pio, virtuoso como a perfeição humana.
Para Dante, a vida é um processo linear, e o nascimento de Cristo (a Encarnação) é uma etapa fundamental da vida, determinando um estágio, um ponto de partida e considerado um importante momento histórico e uma garantia de paz e unidade. Após a queda de Adão, esta é a reunião com o Divino após grandes quedas na história (O pecado original é a primeira queda que interrompe a perfeição entre Deus e o homem) e a encarnação restabelece a harmonia da graça entre o homem e Deus com uma nova queda (Donatio Constantini) que inicia o poder temporal da Igreja.

Neste momento Dante hesita: ele se pergunta por que ele foi escolhido se Aeneas é um homem mais justo que Virgilio descreveu na Eneida ou como São Paulo: Dante não é perfeito e pergunta a Virgilio por que ele. Então Virgílio, como um pai, o tranquiliza explicando que Beatriz se voltou para Deus, que enviou Santa Lucia para pedir a Virgílio que o acompanhe na jornada do inferno e para ajudar a libertar-se de sua vida no caminho ruim.

Terceiro Canto (Veja a animação no Youtube)

Local: Antinferno, Vestibulo, Portal do Inferno
Figuras alegóricas, símbolos e significado:

  • Virgílio = Razão
  • Dante = “Agens” Personagem e “Auctor” Autor
  • Caronte =  É o demonio que leva as almas para o inferno

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A culpa aqui punida é a indolência, negligência, preguiça (ou a pusilanimidade).  É para aqueles que não sabiam como tomar posição na vida, para o bem ou o mal, agindo de uma maneira vil.

Aparece pela primeira vez o esquema que Dante criou chamado Contrapasso, que é uma pena similar ao pecado, refletindo o mesmo, como se fosse um espelho

A lei do Contrapasso

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Por analogia: Os lascivos, que se deixam dominar pela paixão dos sentidos, no inferno estão castigados por uma tempestade

Por contraste: Os insolentes, que viveram uma vida sem estímulos, são continuamente atormentados por picadas de moscas e insetos

Para as almas negligentes, apesar de não se tratar propriamente de condenados, Dante auctor inflige uma dor severa: a de correr incessantemente, nus, atrás de um sinal sem sentido, atormentados por picadas de vespas e mosquitos até sangrarem; seu sangue é finalmente coletado por vermes assustadores que se movem sob seus pés.

É apenas a primeira de uma longa série de condenações que serão infligidas às almas do inferno – e, como veremos, também as do Purgatório, embora de forma mais suaves. A descrição da pena é sempre muito realista, cheia de detalhes duros, crus e muitas vezes repugnantes. As condenações escolhidas por Dante, como auctor, para as almas pecaminosas do submundo seguem uma regra muito precisa, que o poeta retira da Bíblia e da jurisprudência medieval: é a chamada lei do contrapasso, segundo o qual as penalidades são distribuídas conforme os pecados praticados  em vida.

Existem dois tipos de contrapasso:

Contrapasso por analogia: a penalidade é semelhante ao pecado (por exemplo: como na vida sua existência foi repulsiva, por falta a escolha que dá sentido à ação de ser humano, de modo o sangue e as lágrimas são colhidas por vermes repulsivos);

Contraponto por contraste: a penalidade consiste no inverso das características do pecado (por exemplo: como na vida eles não conseguiram seguir nenhum ideal, então os negligentes agora são obrigados a correr incessantemente nus atrás de um sinal sem significado).

Quarto Canto (Veja a animação no Youtube)

Local: 1o. Círculo do Inferno – Limbo Lugares e episódios históricos e / ou mitológicos mencionados

– Descida ao inferno de Cristo
– Libertação dos Patriarcas e Judeus do Antigo Testamento
– Lucio Giunio Bruto inspira a luta contra Tarquinio, o Soberbo

Figuras alegóricas, símbolos e significado:

  • Dante “Agens” Personagem e “Auctor” Autor
  • Virgilio: Fica constrangido pela sua origem igual à dos condenados
  • Homero, Horacio, Ovídio, Lucano
  • Personagens mencionados:
    Electra, Hector, Enéias, César, Camilla, Penthesilea, Latino, Lavinia, Brute, Lucrezia, Julia, Marzia, Cornelia, Saladin, Aristóteles, Sócrates, Platão, Demócrito, Diógenes, Anaxágoras, Thales, Empédocles, Heráclito, Zeno, Dioscorides, Orfeu, Cicero, Linus, Seneca, Euclides, Ptolomeu, Hipócrates, Avicena, Galen, Averroes
    Cristo, Abraão, Moisés, Davi, Jacó, Raquel, Adão, Abel, Noé

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Resumo

Dante acorda de seu sono e está do outro lado do Acheron, no Limbo, o primeiro circulo  do Inferno. Virgilio fica perturbado porque ele está neste círculo, mas tranquiliza Dante e os dois seguem, encontrando almas com castigos espirituais e não-corporais, pois seu pecado era o de não conhecer o cristianismo. Entre essas almas, Dante conhece Homero, Ovídio, Horácio e Lucano, seus maiores modelos poéticos, que orientam os dois peregrinos para um castelo nobre, onde residem grandes filósofos e figuras importantes.

Função
Introdução ao Inferno real; homenagem à cultura e às origens romanas (poetas); tributo à filosofia e à atividade clássica; homenagem à cultura pagã.

Símbolos e alegorias

  • Quatro poetas: excelência poética
  • Escuro: pecado
  • Sete paredes: virtudes morais (justiça, prudência, fortaleza, temperança) e virtudes intelectuais (inteligência, conhecimento, sabedoria) / artes liberais do trivium eo quadrivium (gramática, retórica, dialética, aritmética, geometria, música, astronomia) / sete partes que constituem a filosofia (física, metafísica, ética, política, economia, matemática, dialética)
  • Castelo: filosofia / nobreza humana
  • Luz: racionalidade humana

Tempo
Sexta-feira santa, provavelmente no dia 8 de abril, 1300, à noite.

Tópicos
– Tema de perturbação
– Tema da religião
– Tema da filosofia
– Tema da poesia
– Tema da cultura em geral
– Tema da era clássica
– Tema de reflexão
– Tema da Escuridão
– Tema de luz
– Tema do locus amoenus

Referências literárias e culturais
– Ilíada
– Biblia
– Várias lendas

Quinto Canto (Veja a animação no Youtube)

Local: 2o. Círculo do Inferno – Os libidinosos – Perda da razão pelo desejo

  • Envolvimento emocional
  • Amor sensual entre Paolo e Francesca
  • Papel central da literatura na história dos dois amantes
  • Ideal da cortesia de um lado, a dimensão religiosa por outro

Figuras alegóricas, símbolos e significado:

Na Entrada Minosse = demonio bestial, guardião do submundo

Acompanhado de:

  • Dante “Agens” Personagem e “Auctor” Autor
  • Semiramis = Rainha dos assírios
  • Dido = rainha de Carthago (Eneida)
  • Cleópatra = Rainha do Egito, amante de Júlio César e Marco Antonio
  • Elena, Paride e Achilles = personagens da mitologia grega
  • Tristão = cavaleiro famoso da mesa redonda
  • Paolo e Francesca

Tempo

A noite de 8 de abril de 1300 (Sexta-feira Santa)

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Resumo

Dante chegou ao II círculo do inferno com Virgilio, onde está o grupo destinado ao pecador da luxúria. Paolo e Francesca foram os primeiros pecadores que Dante questionou.
Francesca era uma mulher aristocrática, filha de Guido da Lopenta. O amor floresce entre os dois durante a leitura de Lancelot. Seu amante posteriormente foi morto por seu marido traído. Dante perturbado pelos prórpios sentimentos desmaia e perde os sentidos. Dante tem uma atitude de compreensão em relação a Francesca, mas também de críticas, na medida em que ela agiu contra ideais religiosos e normas morais.

Sexto Canto (Veja a animação no Youtube)

Local: 3o. Círculo do Inferno – Gula

Figuras alegóricas, símbolos e significado:

Cerberus = Cão de três cabeças

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Resumo

Aqui, as almas dos glutões estão colocadas no chão, com a face enterrada na lama e são torturadas por uma chuva incessante e  opressão do guardião do grupo, o feroz cão  Cerberus. Ele é um personagem demoníaco, dotado de três cabeças caninas, que dilacera e destrói as almas dos glutões em pedaços com suas garras. Virgílio consegue manter Cerbero à margem jogando lama em suas três cabeças, e assim Dante e seu mestre podem passar livremente pelas almas que sofrem. Uma alma se levanta da massa  disforme e lamacenta e se dirige a Dante; É Ciacco, um colega cidadão do poeta, provavelmente condenado a isso por causa de sua ganância. Dante questiona-o sobre o destino de sua cidade, continuamente dividido na luta entre Guelfos e Ghibellinos, e Ciacco profetiza o choque entre as duas facções de Guelfos, a dos brancos e a dos negros, e no final prevalecem os negros. O tema é então o político, como para cada sexta canção de cada música: os condenados descrevem com tons escuros e proféticos a maneira pela qual os florentinos “virão ao sangue” (v. 65), aludindo aos choques entre facções de 1300-1301 . Ciacco acrescenta que, na cidade, quase não há presença de pessoas merecedoras ou que podem mudar o triste destino da luta interna, por causa das “três faíscas” (v.75) de arrogância, inveja e avareza. Dante pergunta-lhe onde alguns personagens florentinos ilustres são encontrados, e Ciacco responde que estes (incluindo Farinata e Iacopo Rusticucci), culpados dos pecados mais horrivei, estão nos círculos mais profundos do inferno. Ciacco volta com o rosto na lama, depois de pedir a Dante para lembrá-lo uma vez voltou aos vivos. Virgílio explica ao poeta que Ciacco não levantará o rosto da lama e que ele vai mentir até o Dia do Juízo, depois do qual seus cuidados e dores crescerão ainda mais. Os dois protagonistas andam sobre as almas – como um sinal de desprezo em relação a elas – e continuam sua jornada no submundo, chegando às portas do quarto círculo, que se encontra em Plutão, “o grande inimigo”, o demônio da riqueza.

Setimo Canto (Veja a animação no Youtube)

Local: 4o. Círculo do Inferno – Riqueza

Figuras alegóricas, símbolos e significado:

Lobo = avareza e cupidez
Plutão = Filho de Iasione e Demetra, era para os gregos o simbolo da riqueza

 

Resumo

À entrada do IV Círculo, os dois poetas encontram Plutão, guardião dessa área infernal. O monstro, que tem a aparência de um lobo, corre contra eles, proferindo palavras incompreensíveis, mas Virgílio assegura a Dante que Plutão não conseguirá impedi-los, repreendendo o demônio e o silenciando, lembrando a derrota sofrida por Lúcifer pelo Arcanjo Miguel . Neste ponto, Plutão cai no chão prostrado e os dois poetas podem continuar. Os dois poetas se aproximam das fileiras dos avarentos e dos pródigos.
Uma grande multidão de condenados se reúne em um  círculo tumultuado, dividido em duas fileiras, a dos avarentos e a  dos pródigos: eles empurram as pedras ao longo do círculo entrando em conflito e reclamando. Dante observa muitos homens da Igreja, vítimas privilegiadas deste vício. Virgílio expõe a natureza do pecado e conclui afirmando a vaidade das riquezas que a fortuna dá aos homens.
O contrapasso não é claro, mas a metáfora se aplica caracterizando a ligação dos pecadores com os bens similar a empurrar as pedras
Virgílio explica o que a Fortuna é criada por Deus, sendo dados os bens aleatoriamente  diferentes povos, de maneira imprevisível para o homem e de acordo com seu julgamento oculto. Suas leis regulam a vida dos homens e presidem os altos e baixos da história, pois os poderes angélicos presidem e ordenam o movimento dos céus. Suas mudanças são muito rápidas e seguem a vontade divina, e são inúteis as maldições humanas contra ela.
Dante e Virgílio seguem as águas de uma fonte termal, que se abre no amplo mármore de Stigia: é o quinto círculo infernal, onde os irascíveis estão mergulhados, se batendo entre si. Virgilio conclui dizendo que os bens terrestres, confiados à fortuna, são efêmeros e todo o ouro no mundo seria insuficiente para apaziguar essas almas aflitas.

 Oitavo Canto (Veja a animação no Youtube)

(Inscreva-se para ver a animação no Youtube – é sensistivo a quem vê)

Local: 5o. Círculo do Inferno – Indolentes e descontrolados

Portal  da cidade de Dite

Figuras alegóricas, símbolos e significado:

Pena: Eles estão imersos nas águas do Rio Styx e se batem uns aos outros
Contrapasso Eles continuam a desabafar sua ira, clara ou oculta, imersos nas águas sujas e lamacentas do Rio Styx
Dante conhece Flegiàs (guardião do círculo); Filippo Argenti; os demônios

Canto 8

Resumo

Ainda no 5o. Circulo do Infeno, aparece  Flegiàs, que transporta Dante e Virgilio  para o pântano do Rio Styx.. Encontro com Filippo Argenti. Chegada à cidade de Dite. Os demônios negam a passagem para os dois poetas.
É a noite de sábado 9 de abril (ou 26 de março) de 1300.

Ao longo das margens do Rio Styx, o segundo dos rios infernais que se encontrou até agora, depois do Acheron, Dante e Virgilio chegam ao pé de uma torre do topo do qual saem sinais luminosos.
Estes se revelam como avisos de Flegiàs, o barqueiro infernal que, reprimindo a raiva, aceita os dois em seu barco. Durante a navegação, um dos irados condenados punidos no pântano aborda com arrogância Dante: era o florentino Filippo Argenti que teve relações de inimizade com Dante, depois de uma breve troca de piadas abusivas, tenta atacar o barco, mas é levado de volta por Virgilio na lama onde é despedaçado pelos outros condenados.
Finalmente, o barco chega em frente às muralhas da cidade de Dite, avermelhada pelo  fogo, protegida por um bando de demônios que impedem Dante e Virgilio de entrar no Inferno inferior. Nem mesmo as palavras de Virgílio conseguem persuadir os demônios a se inclinarem diante da vontade divina: diante de sua hostilidade e do desconforto de seu guia, Dante é tomado pelo terror, mesmo que Virgílio o tranquilize e anuncie a chegada de alguém capaz de ajudá-los .

Nono Canto (Veja a animação no Youtube)

(Inscreva-se para ver a animação no Youtube – é sensistivo a quem vê)

Local: 5o. Círculo do Inferno – Indolentes e descontrolados

Portal  da cidade de Dite

Figuras alegóricas, símbolos e significado:

Pena: Eles estão imersos nas águas do Rio Styx e se batem uns aos outros

Canto 9

canto 9.3

Tópicos do canto

As dúvidas de Dante e as explicações de Virgílio. Aparência das três Fúrias, que invocam a Medusa. Chegada do enviado celestial, que vence as resistências dos demônios e permite a passagem dos dois poetas. Entrada para a cidade de Dite (VI Circulo). Penalidade dos heréticos. É a noite de sábado 9 de abril (ou 26 de março) de 1300.

É o enviado divino que no Canto IX do Inferno atinge a cidade de Dite para superar a oposição dos demônios e, assim, permitir a passagem de Dante e Virgílio, que os demônios tentaram, em vão, obstruir. Sua chegada é anunciada por Virgílio no final de Canto VIII, tal che per lui ne fia la terra aperta, “para que a terra aberta seja minha” (Não prevalecerá a arrogância, porque o anjo é enviado de Deus a a porta se abrirá).
Depois de ter avisado os leitores para entender o significado da alegoria, Dante descreve a chegada do mensageiro como um vento apressado, que sobrepõe árvores e galhos. O mensageiro cruza o pântano do Rio Styx com as plantas secas, fazendo com que os condenados fugissem e tirando com a mão os espessos vapores do pântano no rosto. Quando ele chega à porta de Dite, ele abre com uma pequena vara  e repreende duramente os demônios da oposição que tentaram contra Dante. Então o mensageiro vai embora e os dois poetas podem entrar na cidade sem nenhum impedimento.
O personagem tem sido interpretado de diversas maneiras, sendo muito vaga a descrição que dá a Dante: pensou-se, naturalmente, para anjo talvez o arcanjo Miguel ou Gabriel, embora algumas de suas atitudes parecem adequadas para um ser celestial, especialmente quando ele cruza o pântano. Outros propuseram personagens mitológicos (Perseus que matou Medusa, Mercurio…), também podem ser os contemporâneos do poeta, mas isso parece uma hipótese improvável. Não se deve excluir que o mensageiro seja simplesmente um anjo enviado por Deus para superar a resistência dos demônios, sem uma identificação precisa.

Décimo Canto (Veja a animação no Youtube)

(Inscreva-se para ver a animação no Youtube – é sensistivo a quem vê)

Local: 5o. Círculo do Inferno – Os heréticos

Dentro  da cidade de Dite

Figuras alegóricas, símbolos e significado:

Farinata e Cavalcante

Tópicos do canto

Ainda na cidade de Dite, a pena dos heréticos. Encontro com Farinata Degli Uberti, discurso político sobre Florença. Aparência de Cavalcante de Cavalcanti. Profecia de Farinata sobre o exílio de Dante. Virgilio conforta Dante prometendo-lhe as explicações de Beatriz. Os dois poetas chegam perto do VII Círculo. É a noite de sábado 9 de abril (ou 26 de março) de 1300.

canto 10.3

Virgílio conduz Dante entre os túmulos da cidade de Dite, contornando o lado interno das paredes. Dante está intrigado e pergunta ao Mestre Virigilio se é possível ver as almas que se encontram nas tumbas, uma vez que as pálpebras são levantadas e não há demônios para manter as arcas. Virgilio responde que as tumbas serão fechadas para sempre no dia do Juízo Final, quando as almas ressuscitadas serão reapropriadas do corpo no vale de Iosafat. Ele também explica que, neste tipo de cemitério, estão todos os seguidores de Epicuro, que proclamaram a mortalidade da alma, prometendo a Dante que logo terá satisfeito o desejo que ele expressou e que não revelou, que é saber se há a alma de Farinata Degli Uberti. Dante justifica-se dizendo que, se alguns desejos lhe forem escondidos, é apenas para evitar falar fora de hora, algo que o próprio Virgilio o acostumou.

Encontro com Farinata e Cavalcante
De repente, uma voz que vem de umadas sepulturas se dirige a Dante, identificando-o como um toscano e implorando-lhe que persista, pois seu sotaque o indica como proveniente de sua própria cidade. Dante tem medo dele e se junta a Virgilio, que o convida a virar e olhar para Farinata, que subiu de um dos túmulos e é visível da cintura para cima. Dante obedece e vê o condenado que se detém com a cabeça e o peito levantados, como se ele desprezasse todo o Inferno, então Virgilio o empurra e aconselha-o a falar com dignidade.

Assim que Dante chega ao pé do túmulo de Farinata, ele pergunta quem são os seus antepassados. O poeta revela seus descendentes e Farinata observa que os antepassados ​​de Dante eram inimigos amargos dele, seus antepassados ​​e seu partido político (os Gibelinos), tanto que os levou duas vezes de Florença. Dante responde prontamente que, se eles foram caçados, eles puderam voltar para a cidade nas duas ocasiões, enquanto não se pode dizer o mesmo sobre os antepassados de Farinata.

Aparece Cavalcante (52-72)

De repente, ao lado de Farinata emerge outro condenado, que se inclina com o queixo como se ajoelhasse. O espírito olha ansioso ansioso, procurando por alguém ao lado de Dante, mas ele não vê. Finalmente, chorando, ele pergunta a Dante onde está o filho e por que não acompanha o poeta nesta jornada, se Dante está lá pelo grandeza de seu talento. Dante imediatamente entende que é Cavalcante dei Cavalcanti, pai de seu amigo Guido, e ele responde que, na realidade, ele está lá não só por seus méritos e indica Virgílio como alguém destinado a guiá-lo a alguém que, talvez, o filho de Cavalcante tivesse para desdenhar. Cavalcante se levanta alarmado e pergunta a Dante se seu filho Guido está realmente morto: já que o poeta demora em responder, os condenados caem de volta ao túmulo para não voltarem mais para fora.

Analise – Resumo

O sexto círculo contém os hereges, aqueles que acreditavam que o corpo não contém uma alma. Muitos destes são epicuristas, seguidores de Epicuro, o filósofo grego cuja filosofia era a realização da felicidade pela ausencia da dor.

Farinata, juntamente com Cavalcante, está no círculo dos hereges, em parte porque ele e Cavalcante eram epicuristas. De acordo com o julgamento do papado, de acordo com a sociedade de Dante Cavalcante e Farinata seguiram a filosofia epicurista. Os epicuristas acreditavam que não há alma e que tudo morre com o corpo. Eles são os prazeres da vida na Terra como o maior objetivo para o homem. Como Dante conhecia Farinata e Cavalcante como Epicuristas, paraele era totalmente esperado encontrá-los neste círculo do inferno.

De acordo com a ideia de contrapasso de Dante, o castigo do herege é passar a eternidade em túmulos flamejantes, até o dia do Juízo Final, quando os túmulos se fecharem e as almas dentro serão seladas para sempre dentro de seus corpos terrestres.

Dante usa consistentemente o ato de profetizar como um dispositivo literário no inferno. A profecia de Farinata para Dante, “O rosto daquele que reina no Inferno não deverá / ser reativado cinquenta vezes em seu curso / antes de aprender que as ofensas implicam nessa arte “, significa que Dante também experimentará a dor do exílio.

A outra sombra que interrompe Farinata é Cavalcante, outro epicurista, ex-cidadão de Florença e pai de Guido, poeta contemporâneo e amigo de Dante. Quando Dante diz: “Seu Guido sentiu desdém”,  poderia significar várias coisas. Poderia significar que Guido, um poeta moderno, manteve Virgilio e todos os poetas clássicos em desprezo. Observa que Farinata e Cavalcante não se percebem ou se reconhecem. Os espíritos sombra no inferno não estão lá para companheirismo ou compaixão um do outro. No caso de Ugolino e Ruggieri em Canto XXXIII, eles provocam dor ao invés de conforto.

Historicamente falando, Farinata era uma poderosa personalidade da geração anterior. A família de Dante era dos Guelphos. Como Dante alude neste canto em particular, Farinata liderou duas vezes os Ghibellinos contra os Guelphos e os derrotou duas vezes. Assim, ele e Dante devem ser inimigos amargos. No entanto, ele não é alguém a quem Dante odeia; Farinata era uma pessoa que Dante admirava tremendamente. (Uma pessoa pode respeitar um inimigo, mesmo que se opor a ele ou a ela).

As preocupações de Farinata são as de um guerreiro; qualquer outro sentimento não tem sentido para ele. Ele é um cidadão, e ele pede seu nome para sua pátria. Farinata também é um partidário: primeiro pergunta a Dante sobre seus antepassados. Da mesma forma, ele é um guerreiro invencível: ele relata ter vencido seus oponentes duas vezes. A gloria de Farinada era sua amada cidade. O tema do amor paterno de Cavalcante, entrelaçado com o amor heróico de Farinata, é eficaz.

Dante criou como uma imagem para Farinata de poder, caráter e força. Ele o descreve em posição ereta, de modo que ele só podia ser visto da cintura para cima. Esta postura sugere que, espiritualmente, ele se eleva sobre todo o Inferno e cria uma imagem de força e grandeza infinitas.

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