Sobre

Esse exercício nasceu por curiosidade e como percepção de que o assunto merece atenção. Acrescentando-se que isso é uma lição de casa que deixei de lado desde há muito tempo, decidi dar-lhe uma chance estimulado pelo nosso jornal local que noticiou uma tese sobre o Inferno de Dante. Segundo a noticia, a característica principal da tese era sobre o suposto tamanho do Inferno e que fora feita como se fosse algo humorístico. Para não mencionar que era tudo um esquema da Igreja Católica para manter seus seguidores. Ao ler a tese, que está disponível na Internet, fiquei surpreso porque a tese era uma mistura de um paradoxo e uma ideia equivocada sobre o assunto. O paradoxo vem do fato de que a tese foi centrada no filme Blade Runner, que trata de um pequeno bando de humanoides bio-engenheirados, chamados “replicantes”, que escaparam de sua escravidão “fora do mundo” e retornam à Terra em busca de seus designers, na tentativa de prolongar sua vida útil, que fora fixada em quatro anos. Levando em consideração que todo o esquema da Divina Comédia gira sobre o que acontece com as almas daqueles que morrem, o caso dos replicantes não tem sentido, porque não tem alma para ser salva ou enviada para o céu ou o paraíso. Isso é agravado pelo fato de que hoje você pode ter até cinco versões do filme e não há consenso quanto a se seu perseguidor, Rick Deckard (interpretado por Harrison Ford) não é ele mesmo um replicante.

O filme disputa a posição de ser o melhor filme de ficção cientifica já feito, mas na verdade ele é profundamente noir e com pretensões metafisicas. Quando foi apresentado inicialmente em 1982, foi mal recebido e a plateia ria, o que, para um filme que não tem uma única piada, é um problema sério. Ele, porem, era perfeito para a revolução tecnológica que se seguiria, nos formatos e na distribuição de filmes, sendo o primeiro a ser colocado em DVD. Acrescido do visual que diz para os sentidos que se parece com o que tememos que nosso planeta esta se tornando, através de uma mistura de chuva, uma fumaça acariciante envolvendo tudo e um caleidoscópio que se desloca o tempo todo com luzes artificiais. Tudo sugerindo uma sociedade descrita na literatura distópica, que explora as estruturas sociais e politicas num mundo sombrio de pesadelo,  caracterizado por pobreza, miséria, sujeira e opressão, especialmente na ficção científica especulativa.

Coisa completamente desumana… ainda bem que é para humanoides robôs…

A idéia equivocada (na tese), alem do uso do Blade Runner, talvez venha do fato de que o autor não tentou descobrir o simbolismo envolvido nas imagens que ele apresenta para o caso de Dante e o que significam. A justificativa que isto estaria sob o domínio da religião deixa de fora a compreensão do que  A Divina Comédia representa não apenas a cultura italiana, mas para a cultura mundial.

Eu decidi explorar o que está sob e por trás dessas imagens sob outras perspectivas, especialmente o religioso, o simbólico, a importância para o estabelecimento do italiano como um idioma, do mérito de ter catalizado o trabalho de Gailleu e outras que serão adicionadas na medida em que isso me pareça necessário para saber onde Dante quis chegar.

Estas e outras perspectivas estão listadas no Index

O ponto de partida é em Inferno